quinta-feira, 21 de setembro de 2017

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Traçados e Sentidos - do desenho à letra cursiva com Elvira Souza Lima Dia: 27 de agosto, SP



Traçados e Sentidos - 
do desenho à letra cursiva
com Elvira Souza Lima

Dia: 27 de agosto
Local: Espaço Harmonia,
Antonio Camardo, 743, Tatuapé
São Paulo, SP
Horário: 9h às 12h

Valor da ação de formação: R$100,00
R$ 90,00 para  individual com pagamento até 10 de agosto
Desconto de   5% para grupos de  5 pessoas da mesma instituição
Desconto de 10% para grupos de 10 pessoas da mesma instituição

FAÇA SUA INSCRICÃO AQUI



quinta-feira, 16 de junho de 2016

Elvira Souza Lima - Memória - Todos Podem Aprender a Ler e a Escrever


O papel da memória nas aprendizagens escolares, a educação da atenção e as atividades de estudo, os processos de aprendizagem e os mecanismos e tipos de memória, as contribuições da neurociência, a organização do currículo, com Elvira Souza Lima

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Elsie Rockwell - Três planos para o estudo das culturas escolares


Três planos para o estudo das culturas escolares: 
o desenvolvimento humano desde uma
perspectiva histórico cultural


A cultura escolar: um olhar histórico

Gostaria de tentar mostrar a complexidade desta problemática cultural focando um campo particular, a escola, embora o que eu vou dizer pode sugerir maneiras de olhar para outros espaços sociais em que os seres humanos como a família ou para a rua se desenvolvem. Em nossa cultura, a escola é privilegiada como uma área que potencia o desenvolvimento humano. Muitos estudos psicológicos têm tentado demonstrar que existe uma estreita relação entre a escolaridade e o desenvolvimento cognitivo (Moll, 1990). No entanto, raramente a própria cultura escolar é abordada de uma perspectiva histórica e cultural. Segundo alguns pesquisadores, as escolas que conhecemos refletem uma gramática particular, que alguns chamaram de "forma escolar". Estas escolas têm maneiras de dividir o tempo e separar o espaço, classificar os alunos, de fragmentar o conhecimento e fornecer qualificações, que marcam suas culturas (Tyack e Cuban, 1995). No entanto, a partir da antropologia e da história, também foram documentadas outras formas de organização da transferência formal do conhecimento, que sugere uma concepção comparativa mais ampla da escola




Elsie Rockwell
Tres planos para el estudio de las culturas escolares: el desarrollo humano desde una perspectiva histórico-cultural
Interações, vol. V, núm. 9, jan-jun, 2000, pp. 11-25
Universidade São Marcos
São Paulo, Brasil
fonte: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=35450902


sábado, 19 de março de 2016

Fundamentos da Educação Infantil de Elvira Souza Lima, Editora Inter Alia, 2016





FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
ELVIRA SOUZA LIMA

ISBN: 978-85-65669-23-8
ISBN Livro digital (e-book): 978-85-65669-24-5

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A edição digital pode ser lida no computador, tablet, smartphone com
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Não é necessário possuir o leitor Kindle 

     
Editora Inter Alia     
livros@editorainteralia.com     
editora.interalia@gmail.com

sábado, 12 de março de 2016

Diálogos de Educação 2

Discussão sobre poesia - Curso Fundamentos para Educação Infantil - Elvira Souza Lima, CEPAOS

Tivemos nestes primeiros dias de nosso curso muitas experiências com poesia no cinema, na animação, nas postagens de muitas pessoas. Vale a pena, agora, refletir sobre o que é poesia para a mente humana. É evidente nas postagens a preocupação de todos com o processo de humanização das crianças pequenas. Por onde passa a humanização na primeira infância?
              Com certeza pelos sentidos, pela educação dos sentidos. E gostaria de destacar aqui a importância da visão poética, da visão não endurecida pelas questões contemporâneas de aceleramento da infância. É preciso por mais poesia na vida das crianças. Na escola e em casa. Quem está na docência, tem lido poesia para as crianças? Quem está na gestão, tem trazido constantemente a questão de poesia no currículo? Melhor ainda, quais são as idéias do grupo para inserir mais poesia no cotidiano da criança pequena?

Pollaris

Juliana de Oliveira Nessa semana tive uma reunião na qual refleti sobre esta questão: a poesia para crianças. Pensei sobre como apresentar, a frequência que fazia isso (e se fazia) e quais materiais eu usava... percebi que isso não ocorria como seria adequado e também muito menos com a mesma frequência que é oferecido um filme, uma história, um teatro, música entre outras linguagens. 
Talvez isso ocorra por eu trabalhar com criancas bem pequenas (1, 2 e 3 anos) e "achar" que algumas linguagens são mais "difíceis"...mas...quem disse que são?
Kietrine Christine Olá, sou professora no 3° ano EF. Poema é um gênero textual que faz parte do nosso currículo, . De qualquer forma, gosto muito de usar poemas nas minhas aulas, acredito que este gênero enriquece o repertório dos pequenos, além de ser um gênero muito "gostoso" de se trabalhar, sua estrutura (versos e estrofes) e as rimas tornam a leitura mais prazerosa e nosso dia poeticamente melhor! 
Mara Helena Epprecht Ribeiro Novamente vejo que é necessário que os adultos aprendam a gostar de poesia e exercitar a visão poética do mundo, pois levar para as crianças a poesia só por que "dizem" que é importante... não tem o efeito que se espera no desenvolvimento delas... e se apaixonar por poesia é muito bom!!
Zenilda Teles Estou aprendendo a gostar de poesia... Concordo com a Mara Helena.... E nesse exercício de aprender a gostar, tenho uma amiga que me encanta com seu gosto pela poesia e me presenteia, não só com livros infantis para eu ler para meus alunos de 5 anos, como também com o brilho em seu olhar quando me seduz... Está dando certo... Escolhi a poesia para trabalhar com meus alunos, nesse semestre!
Araci Consolini Todos os anos tenho lido poesia para as crianças. Mas especificamente por dois anos gravei as crianças em CD e levaram para casa. Foi um ano em que lia poesias nas reuniões de pais. Então este ano voltarei a fazer isso. Amo Vinicius de Moraes e Cecília Meireles.
Tem um Cd do grupo "Palavra Cantada - Canções Curiosas" que eu acho muito interessante. São músicas que se apoiam na rima para contar histórias.


YOUTUBE.COM

Bellatrix

Janete Oliveira Na escola onde trabalho com crianças de 4 anos, temos esse hábito da leitura diariamente. Levamos para a sala de aula diferentes portadores textuais. A poesia entra toda semana como forma de reflexão e após a leitura e conversa registramos através de um desenho. 
Acredito que hoje em dia a humanização das crianças é um desafio
.
Laura Neumann O trabalho na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental são alicerçados na Poesia e nas Artes. Acreditamos que a Música, a Poesia e todas as formas de Expressão Artística estimulam a criatividade, alimentam a imaginação e produzem momentos de extremo prazer, não só para as crianças, mas também aos professores! Em 2015 nossa eleita foi Frida Kallo. 2016 votaremos em Março.
Dany Douglas Moraes Acredito que as poesias contribuem muito para o repertório das crianças desde pequenas! A variedade dos gêneros textuais se ofertadas às crianças desde cedo poderão contribuir muito para o desenvolvimento amplo dos pequenos.
Giselia Santos No meu trabalho na clínica, percebo que ainda existe dentro das crianças, uma sensibilidade aflorada,nos dias atuais as brincadeiras de roda com toda aquela musicalidade está cada vez mais escasso, ali começava a poesia e todo o despertar para o belo e para o outro, o que precisamos é ajudar a despertar novamente para a riqueza das rimas e contribuir para a percepção dos sentidos, incluir nos currículos não a produção em si mas o desenvolvimento do ser como pessoa, ao escolher um texto o professor ter o objetivo não só pedagógico como encontramos na maioria das vezes, mas o intrapessoal e o interpessoal, isso é trabalhar poesia ao meu ver.
Elvira Souza Lima Muito bem colocado!
Renata Duarte Da Cunha Barci Ando questionando o currículo da nossa escola e esta reflexão veio a calhar. As poesias que oferecemos são suficientes? Como estamos trabalhando-as? Poderíamos fazer pequenos saraus a cada 15 dias na escola em que uma sala ou grupo de crianças apresentassem poesias umas às outras. Assim o trabalho de socialização e de comunicação também seria estimulado
Debora Araujo Conheço os da "Arca de Noé" e os poemas de Lalau e Laura Beatriz!
Debora Araujo Tem também o livro "Ou isto ou aquilo", da Cecília Meireles

Sírius

Sol Queiroz Eu amo poesia, mas confesso que encontro bastante dificuldade de inserí-la no universo infantil, acho que até por falta de referência da minha parte. Leio e coloco músicas de Toquinho, Chico Buarque, Mario Quintana, mas ficaria muito feliz se pudessem nos ajudar a ampliar o repertório.
Elvira Souza Lima Vamos colocar algumas sugestões!
Ivania Buonamici Como não conheço um livro especifico com poemas infantis, na minha roda de leitura uso poemas da Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Manoel Bandeira, Cecilia Meireles, mesmo sendo pequenos e muitas vezes sem entender a poesia leio mesmo assim para que se acostumem a este tipo de literatura e eles adoram devido a "melodia" que a poesia tem.
Elvira Souza Lima A poesia faz parte da educação dos sentidos. O importante é a imaginação que se mobiliza pela "melodia" das palavras.
Rosilene Ramos Aqui na escola realizamos o nosso sarau poético. Consegue quebrar a visão de muitos adultos que falam que criança não gosta de poesia.
Rosilene Ramos Mas temos dificuldade em encontrarmos livros de poesias para crianças. O mercado editorial é limitado.
Ana Maria Milani Bem, enquanto trabalhei com o Ensino Fundamental, os materiais de leitura por mim utilizados eram variados, incluindo poesias. Já com a Educação Infantil, trabalho com crianças de idade entre 1 ano e 9 meses até um pouco mais de 3 anos, então, leio, com mais frequência, livros que tenham histórias, pois as histórias prendem a atenção dos pequenos e eles também gostam de contá-las da sua maneira.
Elvira Souza Lima A importância da poesia, mesmo com os pequenos, é a experiência estética com a sonoridade das palavras e a linha ritmica. Ela desenvolve a memória auditiva de maneira diferente do que a prosa. Daí a importância de incluir sempre a poesia.
Ana Maria Milani Entendo e concordo. Elvira, além da leitura de poesias, as músicas infantis também favorecem essa experiência estética com a sonoridade, não é? Considerando que várias músicas infantis se constituíram a partir de poesias.
Elvira Souza Lima Sim, há muitas músicas que as letras são textos poéticos. Ler, sem cantar a melodia, terá o mesmo efeito no cérebro. É uma boa estratégia, esta!
Gabriela Manzano Geraldini Antonangeli Oi Elvira eu acho lindo o livro Uma Dúzia e Meia de Bichinhos
Autor: VASQUES, MARCIANO Ilustrador: BORGES, ROGERIO, você conhece?

Elvira Souza Lima Não conheço, mas vou atrás! Vamos colocar a sua sugestão, obrigada!
Gabriela Manzano Geraldini Antonangeli Tem o livro Amigos do Peito do Claudio Thebas, ilustradora Eva Furnari, que também é muito legal.




Gabriela Manzano Geraldini Antonangeli
  Esse do Pedro PInguim as crianças memores adoram, é lindo !!



Esse também é lindo

Esse livro é bem antigo, nem sei se existe mais, mas retrata bem como as crianças entendem as coisas.


Sol Queiroz Existe sim! Esse livro foi minha paixão por anos quando era pequena!

Fabi Alfim Marciano é um grande amigo meu!!! Vive fazendo poesias por onde passa! Fui coordenadora dele em 2009 , no CEU Tiquatira! Realizamos muitos trabalhos com crianças muito carentes, que se apaixonaram pela magia das palavras! `Podemos marcar um sarau!!!!
Antares

Laura Mansur Adoro ler poesia para meu filho de 3 anos e é impressionante como ele vai memorizando os poemas e re-inventando algumas partes, criando suas proprias rimas (além de ampliar seu vocabulário). Na escola, o trabalho com poesia é quase nulo. Uma pena.
Temos em casa alguns bons livros infantis de poesia. Alguns de poesia "barata", outros de poesia mais complexas. Se tiverem sugestões de livros, agradeço
!
Greici Jacob Verdade, quase não se vê nas escolas a leitura de poesias para as crianças, eu procuro sempre trabalhar nos meus projetos algumas poesias e as crianças adoram.
Léa Mondo Nestes anos trabalhando em escola pública, uma das coisas que me chama muito a atenção, é que grande parte das professoras não lêem para as crianças, não incentivam o hábito da leitura e o ler por prazer. Acho fascinante o rostinho das crianças quando lemos para elas. Não tenho hábito de ler poesia, mas se fantasia já fascina que dirá a poesia...
Flávia Siqueira Trabalho em uma escola há 3 Anos. E o instrumento de nossas aulas, o livro didático, traz muitas poesias. Nossas atividades paralelas também trazem, no entanto, de repente, talvez eu não esteja trabalhando a poesia com mais detalhamento. Me preocupo em a crianca esmiuçar o texto. Perceber estrofes e rimas. Interpretar, diferenciar se o sentido é Real ou não, mas, pelo que Elvira Souza Lima está dizendo, estão faltando alguns pontos que ainda não consegui perceber. Sou professora do Primeiro ano do Ensino Fundamental. Aceito sugestões.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Elvira Souza Lima: Práticas Pedagógicas à luz da Neurociência e da Antropologia, curso realizado em 20 e 21 de fevereiro, SP




"O curso foi fantástico! Parabéns à Elvira pelo conteúdo e 
por compartilhar sua prática pedagógica de sucesso."


Eliana Rabelo de Araújo Bózio






Diálogos de Educação 1

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

ELVIRA SOUZA LIMA

curso à distância, CEPAOS


DISCUSSÃO 1

"Criança francesa não faz manha" é o título de um livro de sucesso, escrito por uma norteamericana. Neste livro a autora discorre sobre aquilo que muita gente comenta: a criança francesa é,digamos assim, educada. Recentemente viajando em Portugal tive a oportunidade de ver casais jovens franceses com seus filhos de 3,4, 5 anos completamente entretidos em explorar o espaço e brincar, sem eletrônicos, fazendo muito faz de conta. Entretidos com o imaginário como o menino com o balão vermelho. Morei alguns anos na França, trabalhei em pesquisa em creche e jardim de infância e muito raramente mesmo vi criança fazendo birra. Será que os comportamentos culturais que os adultos formam nas crianças francesas tem a ver com o fato de que o índice de hiperatividade e déficit de atenção na França é extremamente baixo, menos que 1%? Segundo algumas fontes não chegam nem a 0,5% as crianças francesas medicadas. Por que será que o nosso, no Brasil, aumentou tanto nos últimos anos, chegando perto dos 10%?


Elvira Souza Lima

POLLARIS

Patricia Pereira de Souza Acredito que os pais e a escola possuem sua parcela de culpa. Tenho recebido muitas crianças no consultório que já chegam com um diagnóstico de TDAH e geralmente constatamos que não são. Crianças frágeis emocionalmente, que os pais dão tudo o que querem, passam o dia na frente da TV, vídeo-game e afins. E na escola, devido ao currículo rígido não podem ser elas mesmas e desenvolver seu poder imaginativo e criativo. É muito mais fácil para a sociedade colocar a culpa do comportamento inadequado da criança, num laudo. A criança passa a ser o problema, enquanto a família e a escola ficam insentos da responsabilidade.

Elvira Souza Lima A Maria Aparecida Moisés, médica pediatra da Unicamp, grande estudiosa desta questão, daria razão a você. Há sim muitos erros de diagnóstico! Sua informação é importante.

Thais Santos de Castro Como professora de Educação Infantil, convivo com crianças provenientes de diferentes culturas e meios familiares há mais de doze anos. E, estudando e praticando na área, aprendemos a lidar com a "birra" dos nossos pequenos. Estudamos a moralidade infantil e buscamos pautar nossas intervenções da forma mais fundamentada possível. Agora, falo como mãe... Ahhh, como mãe tudo é tão diferente. Sempre tentei colocar em casa a prática que tenho na escola mas, confesso, que nem sempre isso dá resultados. Minha Martina acabou de completar dois aninhos. Criança muito ativa e que requer nossa atenção o tempo todo. Ela ainda não frequenta a escola. Com ela, vivo muitos momentos de birra e testes de limite, mesmo dedicando todo o meu tempo disponível à ela. Quando estamos juntas, brincamos no jogo simbólico, aproveitamos a área externa e recorro pouco ou nada aos dispositivos eletrônicos. Mesmo assim, há birra. Penso que, esses números exorbitantes de crianças disgnosticadas e medicadas para hiperatividade seja uma precipitação por parte dos pais e, consequentemente, baseados nos relatos dos pais, dos médicos. Crianças são ativas, crianças testam limites, crianças fazem birra. Penso que isso melhore com o crescimento e, claro, com a influência do meio e da educação que a criança vive e recebe. Acredito, como professora e mãe, que a maior dedicação dos pais, o maior disponibilidade em brincar e ensinar seus filhos, envolver-se profundamente nesse mundo simbólico da fantasia, traz grandes benefícios e, consequentemente, crianças mais "tranquilas"dentro da normalidade de sua idade. Os pais e professores precisam se informar, serem pacientes e não se precipitarem em correr para avaliações de especialista e medicações que vão inibir a espontaneidade e alegria da criança pequena!

Mara Helena Epprecht Ribeiro Tenho percebido essa questão bem forte nas escolas que acompanho: a super atividade da criança e a necessidade dos adultos em contê-las!!! Concordo com a Thais em relação à criatividade e imaginação da criança, pois os brinquedos prontos, a TV e jogoseletrônicos não dão conta de trabalhar com o interesse da criança em explorar o mundo!!! E de fato o mundo está super lotado de estímulos que deixa qualquer pessoa "ligada" o tempo todo... então... o que fazer? Temos muito a pensar!!!

BELLATRIX

Livia Dias Já li artigos, mas não o livro. Ao terminar de ler a sua proposta de hoje faço a seguinte reflexão: comportamentos culturais são construídos e podem sofrer influencias? E o que estamos fazendo com as nossas crianças aqui no Brasil.

Elvira Souza Lima Comportamentos culturais são culturais, portanto, resultantes do contexto em que a criança vive. Não são genéticos. E sua pergunta vale reflexão: estamos fazendo o que com as novas gerações??

Livia Dias Talvez não oferecemos oportunidades por acreditar que eles não irão gostar, como por exemplo estilos musicais diferentes ...

Elvira Souza Lima Se criarmos memórias nas crianças pequenas de vários tipos de música desde o primeiro ano de vida, elas terão outro comportamento em relação à música e à diversidade musical.

Livia Dias No final do ano fui ao show do MPB4 (entrada gratuita no SESI) teatro lotado de adultos, alguns jovens e apenas 2 crianças que ouvem Chico Buarque desde que nasceram e se comportaram muito bem do começo ao fim, nada de birra e pediram bis... Esses tem memórias rsrsrs... Também é necessário repensarmos o contexto das escolas brasileiras, que ainda oferecem o tradicional sem liberdade de criação, de vivências e trocas de saberes, engessando o aprendizado, criando assim situações de conflito e indisciplina... REFLETINDO MUITO!

Dany Douglas Moraes Acho que também vale relembrar que o comodismo impera nas ações do ser humano, sendo muito mais prático oferecer aquilo que está na moda e que faz a criança ficar quieta do que oferecer-lhe algo bom e de qualidade!

Beatriz Farah Acredito que as crianças francesas recebem mais limites do que aqui é culturalmente participam de atividades que os fazem conversar e trocar experiências com seus pares. As crianças brasileiras estão cada vez mais solitárias e o ter está acima do ser. A interação com o outro está cada vez mais longe.

Laura Neumann Concordando com todas as reflexões acima, gostaria de refletir ainda sobre a influência da quimio dependência que assola nosso país nos últimos anos. Trabalhando em escolas públicas de Juiz de Fora - MG há mais de vinte anos, como professora regente e de informática (desde 2010) e coordenadora pedagógica da Educação Infantil ao 4º Ano do Ensino Fundamental, posso afirmar com comprovação de números que nos últimos cinco anos, a incidência de crianças de 5 a 7 anos que foram encaminhadas aos psiquiatras para tratamento da hiperatividade e dos TGDs saíram dos limites da compreensão humana. Hoje, qualquer probleminha de aprendizagem que se apresenta, os pais procuram nossos professores e... fatalmente são induzidos a acreditar que seus filhos são indisciplinados e "doentes", mas nada que uma boa "Ritalina" não dê jeito!!! É moda!!! Porém, não pensam que os efeitos das drogas na gestação podem ainda estar ministrando seus estragos no organismo e, principalmente, no cérebro daquelas crianças. Fico indignada com os profissionais da Educação e da Saúde que assumem esta postura comodista antes de se fazer um diagnóstico pedagógico da criança, oferecer a ela uma série de recursos pedagógicos facilitadores de aprendizagem, que talvez as afastariam desta outra droga popular e lícita, atendendo ao apelo de medicação.

Laura Neumann Escola para quem aprende e é bonzinho é coisa do passado! Nosso real desafio e responsabilidade são com aqueles que também desafiam nossos "métodos, didáticas, técnicas..." Conhecer o cérebro, suas sinapses, os campos de desenvolvimento de cada habilidade humana e os recursos e estratégias que possibilitem o desenvolvimento de cada uma delas, respeitar o tempo e as características pessoais de cada criança, sem desconsiderar sua estrutura familiar e cultural, estimulando o que há de melhor em cada uma delas, oferecendo oportunidades de soltarem sua criatividade e imaginação, é utopia pedagógica, mas acredito ser o único caminho a trilhar. Não sei como acontece nas escolas de vocês, mas aqui em JF, algumas escolas de Ed. Infantil já despertaram para este aspecto do desenvolvimento infantil, mas esbarramos na Formação dos Professores que nela atuam.

Laura Neumann Voltando às birras... rsrsrsrs... Posso refletir enquanto mãe de 3 filhos: apesar de ter um "combinado" com meu marido há 23 anos, nunca conseguimos manter uma regularidade nas reações dos três. Juliana tem hoje 21 anos e está casada há 5 meses e reside em Rio das Ostras - RJ. Beatriz, ah!!! Minha Beatriz tem 13 anos e o Philippe, 9. Pela enumeração dos filhos já perceberam que meu maior desafio é a Beatriz... Enganei vocês!!! rsrsrs... No aspecto birra, Juliana superava TODOS os limites da nossa paciência; era daquelas crianças que passava frente às Lojas Americanas e deitava no chão de rolar e se sujar toda por causa de uma "bola de couro"; as pessoas passavam e voltavam para intervir a favor dela, mas... não sabíamos se era por pena dela ou para ficarem livres daquela cena patética, com os pais assistindo a tudo calmamente, até passar aquela crise... Nada de bola, é claro! Quando se acalmava, sentávamos ao seu lado e refletíamos com ela sobre seu comportamento... isso desde os dois anos!!! Quando entrou para uma escola particular aos quatro, na qual também lecionava para a 4ª série, na época, foi diagnosticada com problemas comportamentais por um neuro local... Tratamento: Ritalina, Gadernal e um Sonim para melhorar a qualidade de seu sono... Apelamos para a Homeopatia, Capoeira, Natação e Psicoterapia Lúdica. Não nos arrependemos e os resultados são inquestionáveis. É capoeirista até hoje e toca um berimbau como ninguém!!!

Livia Dias Aproveitando o feriado, resolvi pesquisar mais sobre o tema, e logo me deparei com a seguinte questão: para lidar com crianças é necessário cada vez mais saber sobre DESENVOLVIMENTO INFANTIL para entender o que realmente uma criança é, seus desejos, necessidades... talvez esteja ai a diferença, os educadores franceses já sabem e então espera-se da criança aquilo que é possível no tempo certo mesmo que seja criança. Não misturam as coisas, não antecipam fases, entendem que a frustração é importante nesse processo e que é mais importante ensinar às crianças em idade pré-escolar habilidades como concentração, relacionamento interpessoal e autocontrole do que alfabetizar ...

Elvira Souza Lima Lívia, uma coisa que me surpreendeu logo no início quando entrei em uma escola de educação infantil em Paris, parte do meu trabalho no CRESAS, foi o fato de não interferir no fazer da criança deixando o tempo à vontade para que a criança tente uma, duas, muitas vezes. Em coisas tão corriqueiras como abotoar o casaco. Vi isto igualmente em tribos indígenas no Brasil. Temos mais a aprender com nossos índios, talvez, do que mesmo com os pais franceses. Falaremos sobre isto mais para frente.

Livia Dias Outro fato, é que os especialistas da saúde na França, têm uma visão holística e entendem que o TDHA por ter causas pscio-sociais e situacionais pode ser tratado de outra maneira, como citou a Laura Neumann em um dos seus comentários. Diferentemente da nossa cultura que se baseia muita na americana que acaba por atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança...acabando em “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. ESPERO QUE POSSAMOS TRATAR MAIS SOBRE O ASSUNTO

Elvira Souza Lima Vamos tratar bastante desta questão do que é biológico e o que é cultural. Eu vivi muitos anos nos Estados Unidos e pude constatar lá na década de 90 o aumento absurdo na patologização dos comportamentos escolares e na medicalização de crianças a partir de 5 anos, que é a idade de entrada na escola, o kindergarten. Agora vejo exatamente o mesmo processo acontecendo no Brasil.

Elvira Souza Lima Triste!

Elvira Souza Lima Gostaria de acrescentar que com toda a tecnologia, basicamente não vejo mudanças em certos traços das crianças francesas.

Daniela Schiavottiello Guidi Li o livro, na verdade engoli o livro. A autora vive a maternidade na França, e vem com a bagagem superprotetora norte americana colocar seu filho numa escola francesa. Relata como os educadores se posicionam em relação às crianças e não precisam se posicionar em relação aos pais, que sabem do potencial de seus filhos em cada idade e carregam o conceito de CADRE, UMA LINHA INVISÍVEL QUE DEFINE PARA OS PAIS, EDUCADORES E CRIANÇA O LIMITE ONDE PODEM CHEGAR. São vários aspectos a serem analisados: um deles, na minha opinião bem importante, foi o cuidado que se teve com a educação das crianças francesas desde a revolução industrial. A indústria precisava de mão de obra, então bancou a construção de escolas de boa qualidade para que as mães, além dos pais, pudessem trabalhar com tranquilidade. Século XVIII! 

SIRIUS

Sol Queiroz Eu penso bastante sobre esse assunto e, para ser sincera, tenho algumas dúvidas, principalmente em relação à exatidão do diagnóstico. Li um livro muito interessante de um psiquiatra mostrando por meio de gráficos e pesquisas como algumas doenças cresceram no Brasil nos últimos anos e uma das mais gritantes é a de hiperatividade. O autor questiona bastante a forma como tem sido feito o diagnóstico aqui, mas de qlq forma, eu acho que a diferença de cultura afeta muito questões como essas. Acho tbm que fatores como segurança, por exemplo, limitam o espaço a ser explorado pela criança e afetam, consequentemente, o imaginário. A superestimulação tbm, com eletrônicos, ipads, iphones etc... E também acho que a falta de um curriculo apropriado, que entenda melhor o universo infantil, criando situações que melhor envolvam a criança, contribuiria bastante p a queda deste número. Mas são hipóteses minhas... Gostaria de saber mais a fundo sobre isso.

Daniela Neighbor Imagino que essa tal hiperatividade tenha vários fatores e maneiras de serem vistas. Uma delas é o fato de considerar toda criança agitada ,hiperativa. Além disso, diagnósticos são feitos por algumas pessoas, respondendo questionários encontrados na internet, como se fosse algo que qualquer um pudesse diagnosticar, sem procurar um bom especialista no assunto. Outro fator, acredito eu, é maneira como a criança é vista e respeitada em cada país. Às vezes acho que, no Brasil, tentamos fazer tudo que ouvimos ser bom e que dá certo em outros países, mas não conseguimos seguir uma linha de raciocínio e nos perdemos. Vejo ainda que, o brincar não é valorizado. É quase que uma etapa da vida pulada. A criança precisa ficar mais tempo sentada e quieta sem atrapalhar conversar realizadas pelos alunos.

Gabriela Manzano Geraldini Antonangeli Não sou contra a tecnologia, mas acho que ela deve entrar na vida das crianças no tempo certo e creio que não seja antes dos 7 anos. O brincar livre, na natureza, ou mesmo com algum objetivo, faz parte da infância e a tecnoligia muitas vezes (aqui no Brasil) tem roubado esse tempo que a criança deveria dedicar ao BRINCAR que é tão importante para o seu desenvolvimento e crescimento saudável. Aa birra a meu ver é sinal de descontentamento, é a necessidade de gritar ao mundo que algo está errado. Tenho 4 filhos (11, 13, 15 e 18 anos) e não lembro de ter presenciado nenhuma birra deles quando pequenos, aqui em casa não temos o costume de assistir TV e eles só tiveram video game e contato com o computador depois dos 10 anos de idade, não fez falta antes e mesmo hoje eles não dedicam muito tempo a isso. Quando eram menores e até hoje, vamos em parques, fazemos pic nic, ouvimos muita música em família, eles tocam instrumentos, brincam entre si e os amigos quando vem em casa acham o máximo, jogar, brincar e conversar olhando no olho, deixando o celular de lado um pouco. Não somos radicais nem alienados, no ano passado meu filho mais velho entrou na USP sem cursinho com uma ótima colocação, foi alfabetizado na época certa, brincou mutio quando era criança e acredito que esse é o caminho, mas vejo que infelizmente muitos pais e muitas escolas não pensam assim, querem que cada vez mais cedo nossas crianças sejam alfabetizadas e massacradas pela mídia e pela tecnologia.

Elvira Souza Lima O cérebro está pronto para escrever aos 7, é o que revelam as pesquisas. Vamos estudar estas questões mais adiante. Vários países ainda só iniciam a alfabetização aos 7, assim como a proposta da pedagogia Waldorf. Com meus filhos limitei uso do computador e tv a uma hora por dia no máximo e acho que foi ótimo para eles, ainda mais que cresceram nos EUA. Hoje já se iniciou em vários países o movimento "desacelera" que visa devolver à criança o tempo. Garantir pausa e tempo para brincar. É uma questão importante. Veremos quais os impactos no cérebro!

Sol Queiroz Elvira Souza Lima, no livro "A Formação Social da Mente", Vygotsky diz que a criança já tem capacidade cerebral para aprender a ler e escrever com 3 anos de idade e que o ideal seria que fosse despertada nela a vontade de aprender, criando curiosidade sobre o tema. Já li muito também a respeito da metodologia Waldorf e dos ciclos de 7. São linhas bem diferentes, que sugerem momentos diferentes para se desenvolver determinada etapa. No que diz respeito ao desenvolvimento cerebral, a alfabetização é indicada apenas após os 7?

Elvira Souza Lima As pesquisas de cérebro confirmam a posição da pedagogia Waldorf. Porém, como são várias áreas do cérebro que precisam se organizar para ler (17) e escrever (21), podemos pensar que o processo de alfabetização inicia muito antes da escrita no papel (ou em outro suporte).

Ana Maria Milani Após a leitura dos vários comentários já realizados, reavaliei minha hipótese sobre o assunto e não consegui modificá-la. Gostaria, até, de ter conseguido, porque penso sob um único ponto de vista: a falta de limites. Fazer birra, estando inserido na cultura brasileira ou francesa, significa não aceitar limites. Crianças educadas são crianças cujas famílias garantem e mantem a educação das mesmas pautadas na moralidade. Já com relação ao déficit de atenção e hiperatividade, penso sim que estão diretamente relacionados com as questões culturais. Precisamos nos lembrar que as crianças seguem exemplos e captam facilmente o modo de ser dos adultos. De um tempo para cá, vivemos correndo, fazendo tudo de forma 'atropelada' e querendo dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo. Muito provavelmente, se houver um estudo sobre o histórico das crianças hiperativas/com déficit de atenção e de suas famílias, pode ser que os profissionais da área médica necessitem rever a prescrição da medicação.


ANTARES

Monica Bernardino Mazzo  Concordo que o comportamento cultural dado pelos adultos prepara ou não prepara as crianças para o mundo. Hoje, no Brasil, temos um número significativo de famílias que superprotegem seus filhos não permitindo que eles cresçam de forma saudável, que enfrentem as frustrações. Esse é um dos motivos. O outro é a formação de professores deixa muito a desejar na pratica cotidiana, no conhecimento do desenvolvimento infantil, na elaboração de atividades que desenvolva, a criança como um ser integrado em todas as suas dimensões.

ZAURAK

Ligia Pacheco Eu li este livro, que deixa bem claro o quanto o meio/cultura interfere na formação da criança. Eu estive em algumas escolas na Finlândia. Em uma unidade de crianças de até UM ANO de idade notei que toda a estrutura era de tamanho normal. Banheiro, mesa, cadeira, nada pequeno como aqui fazemos. No canto da sala, umas escadas com rodinhas e logo perguntei a sua função. "Para as crianças alcançarem as coisas altas.", respondeu-me a diretora. "E elas não caem?", perguntei espontaneamente. "Não! Aqui nós não abaixamos os adultos. Nós elevamos a criança." Uau! E realmente as crianças finlandesas tem uma autonomia espantosa. Cultura... cultura... Mas pensei numa escola daquela aqui no Brasil. Infelizmente, creio que não teria aluno. As mães brasileiras são muito superprotetoras para tal e subestimam demais os seus filhos, não acham? Cultura... cultura... Assim como vejo o nosso alto índice de hiperatividade e déficit de atenção. Muitíssimo ligado aos comportamentos culturais. Nossas crianças são muito estimuladas ao mundo virtual com sua grande quantidade de estímulos. Grande parte delas passa boa tarde do dia plugado. Comem bombas calóricas o tempo todo e se exercitam usando apenas o polegar. Movimento, atividade física sistemática, sol, ar livre, mundo imaginário, do faz de conta... tenho visto cada vez menos. Vejo grande consumo energético com pouco gasto, que agita mesmo. Vejo bombardeamento de estímulos que dificultam o desenvolvimento da atenção e pouco investimento no mundo imaginário. Vejo pais aliviados com um diagnóstico, como se aliviasse a "culpa" de ter uma criança assim. Vejo que optam facilmente por ritalina ao invés de educar. Entrei com mais dez colegas em uma sala de educação infantil na China, onde crianças em roda cantavam e desenhavam movimentos com a professora. Nenhuma criança perdeu o foco da atividade. Incrível! Agora pergunto: O que aconteceria se dez chineses entrassem em uma sala de aula da Ed Infantil ao EM aqui no Brasil? Cultura... cultura...

Luna Orsini Eu não li o livro, mas concordo com o perfil da mãe superprotetora, que ao mesmo tempo que subestima e infantiliza os filhos por um lado, por outro se preocupa com quão cedo o filho aprende a ler e escrever. Enquanto cada vez mais crianças na pracinha estão com um celular na mão, mais eu ouço as professoras dizerem que "o que os alunos gostam mesmo é das atividades em vídeo." Imagino que exista sim uma relação entre este aspecto da nossa cultura - ao usar o eletrônico como "babá" - e a hiperatividade.

Mercedes Burni Acredito que muito se espera da escola na educação das crianças em nosso país e o mesmo não ocorre em países Europeus. As crianças têm exemplos dentro de casa de como se comportar e não são crianças com a ilusão de que são o centro do universo, como ocorre aqui no Brasil e em outros países extremamente religiosos. Acredito que as mães aqui querem ser super mães, mas não querem chatear seus filhos de forma alguma (a criança é superprotegida desde o nascimento). 

Os pais em sua maioria ainda acreditam ser tarefa da mulher cuidar dos filhos, mentalidade essa que está mudando.




atualizado:  9/3/2016